A escolha do blog

Inicialmente gostaria de esclarecer o nome escolhido para o blog. Trata-se de uma expressão tailandesa para "continuamente, eternamente, para sempre", ou seja, uma vontade constante de olhar sem parar. Um carinho em particular às coisas da Tailândia, espaço-tempo de vivências significativas a mim. No entanto, o verbo olhar aqui presente estende-se aos demais sentidos, ressalta-se a capacidade de olhar a partir da sensibilidade humana e não apenas do olho físico, órgão da visão. Deste ambiente tentarei fazer um "depósito circulatório e renovador"de pensamentos em forma de imagens e palavras extraídas do cotidiano. Fiquem à vontade para a troca de idéias!

quinta-feira, 17 de março de 2011

A pequena morte

Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que a quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.

Eduardo Galeano - O livro dos abraços


Obra de Arte. Paraty - RJ, 2010.

terça-feira, 15 de março de 2011

Olhadinha

Espera, 2011.

Bem, escolhi esta imagem, registrada num aeroporto, para refletir um pouco mais sobre que "olhadinha"é essa, e sobre esse tempo no cartaz referido. Chamou-me atenção primeiramente pelo nome próprio, mas logo, pela própria forma condicionada que ficamos neste ambiente de transição, expressa no conjunto de palavras: vitrines + passar + voando, todas relacionadas ao tempo contemporâneo de consumir e ser consumido constantemente. E estas vitrines, obviamente de coisas belas para a distração do olhar, nos induzem a esquecer o outro tempo lá fora, aquele da realidade mais triste, nem tanto atrativa assim. Enfim, trata-se de uma inquietação (i)material para iniciarmos os trabalhos! E para ir embora... fica a pergunta: qual é o seu tempo?

domingo, 13 de março de 2011

Escrever é preciso. O princípio da pesquisa.

Bem, diante alguns impasses com a forma de linguagem escrita, resolvi ler o livro recomendado por uma amiga cujo título encontra-se acima, de Mario Osório Marques. Nele o autor nos leva a caminhos tão leves para aprendermos a iniciar esse ato, muitas vezes tão árduo, ainda mais quando se trata de pesquisas científicas e todo ranço que com ela carregamos ao lermos os filósofos, ao interpretá-los e ao citá-los... Mas aí está um dos pontos de que fala Marques, não, não podemos "apenas"copiá-los, não se trata disso, obviamente precisamos lê-los, e relê-los muitas e muitas vezes, pois sabemos que nossos olhares serão outros em outros momentos, trata-se sim de reconstruí-los, "uma reconstrução destes". Os saberes se fundem, se transformam e se reformulam, explica o autor, e a partir desse "empurrão"para "soltarmos o verbo", no seu sentido mais positivo e produtivo que possamos encontrar, resolvi iniciar este blog com meus devaneios, mas que são e foram devaneios alheios também, afinal sou constituída de tudo isso à minha volta, nào é mesmo?! Abaixo uma passagem do livro, que carrego comigo para iniciar este processo compartilhado virtualmente, mas não por isso irreal:

"Entender o ato de escrever como impulso vital por onde se libertam as forças do espírito e chegar a fazê-lo expressivo de minha singularidade criativa. Esse, de fato, meu problema existencial à busca do auto-conhecimento".