A escolha do blog

Inicialmente gostaria de esclarecer o nome escolhido para o blog. Trata-se de uma expressão tailandesa para "continuamente, eternamente, para sempre", ou seja, uma vontade constante de olhar sem parar. Um carinho em particular às coisas da Tailândia, espaço-tempo de vivências significativas a mim. No entanto, o verbo olhar aqui presente estende-se aos demais sentidos, ressalta-se a capacidade de olhar a partir da sensibilidade humana e não apenas do olho físico, órgão da visão. Deste ambiente tentarei fazer um "depósito circulatório e renovador"de pensamentos em forma de imagens e palavras extraídas do cotidiano. Fiquem à vontade para a troca de idéias!

domingo, 15 de maio de 2011

Ver, Ler e Ser.

Timbaúva. Praça Xavier Ferreira, Rio Grande, 2010.

Não sei ainda como começar, mas preciso escrever, já estou guardando muito as palavras, os sentimentos, as lágrimas... quero saber do que somos feitos. Não..., na real quero é entender por que sentimos dificuldade em aceitar os feitos da vida?! Feitos de carne, memória, sangue, história, água, feitos de morte, felicidade, tristeza, momentos, eternidade, segundos, olhares, cheiros, sentidos outros, que são dos outros e meu também. Falamos com tranquilidade para os amigos, que encontram-se em desespero, que tudo vai passar, mas quando é conosco, por que a impossibilidade de acalmarmos a  nós mesmos? O mundo é complexo pra caramba, as dimensões que aqui estão inquietam os nossos pensamentos, as sensações nem se falam, e frente a tudo isso encontramos o ser humano, um grãozinho, um pedacinho nesse todo grande espaço, e achamos que os nossos problemas são problemas... aiai... ser racional! Quero ser mais espírito, quero ser mais sensível, quero me encontrar para me perder, preciso saber... de que é feito o feito do ser!?

domingo, 3 de abril de 2011

O GOSTO DO MARACUJÁ

Primeiro um galho me foi presenteado
Numa tarde ainda com o sol foi plantado
Não foi sempre regado, nem muito cuidado
Por conta própria resolveu aparecer e florescer
E por falar em flor, como posso descrever
Uma composição perfeita, difícil não perceber
E depois alguns meses nasceu o maracujá
Não foram poucos, ainda crescem sem parar
Ai maracujá já és da casa, já és de cá.
(Claudia Moraes, 2011)

Quintal de casa. 2011.

Despedida

Pôr do Sol. Cassino, 2011.

É realmente incrível o que a natureza é capaz de nos apresentar e nos presentear da mesma forma. As queixas do dia-a-dia, os problemas constantes, as dúvidas e incertezas da vida, tudo se transforma e cai por terra quando temos a sensibilidade em reconhecer em momentos como este, a pureza, a leveza, a verdade, a felicidade em sua essência. O que antes era tido e visto como preocupante e angustiante, agora torna-se pó, efêmero e impermanente. O que gostaria de expressar aqui trata-se de um acordar para o dia de amanhã com outra perspectiva, com outro entendimento que possibilite a reflexão do que é para nós importante e essencial. Tenhamos a convicção de que nada é infinito, nada é de todo insubstituível, o que fica de tudo isso são as lembranças, o imaginário compartilhado por seres sensíveis e mortais. Com a imagem linda do astro sol despedindo-se do domingo, desejo um ótimo início de semana aos que por aqui passam.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A pequena morte

Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que a quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.

Eduardo Galeano - O livro dos abraços


Obra de Arte. Paraty - RJ, 2010.

terça-feira, 15 de março de 2011

Olhadinha

Espera, 2011.

Bem, escolhi esta imagem, registrada num aeroporto, para refletir um pouco mais sobre que "olhadinha"é essa, e sobre esse tempo no cartaz referido. Chamou-me atenção primeiramente pelo nome próprio, mas logo, pela própria forma condicionada que ficamos neste ambiente de transição, expressa no conjunto de palavras: vitrines + passar + voando, todas relacionadas ao tempo contemporâneo de consumir e ser consumido constantemente. E estas vitrines, obviamente de coisas belas para a distração do olhar, nos induzem a esquecer o outro tempo lá fora, aquele da realidade mais triste, nem tanto atrativa assim. Enfim, trata-se de uma inquietação (i)material para iniciarmos os trabalhos! E para ir embora... fica a pergunta: qual é o seu tempo?

domingo, 13 de março de 2011

Escrever é preciso. O princípio da pesquisa.

Bem, diante alguns impasses com a forma de linguagem escrita, resolvi ler o livro recomendado por uma amiga cujo título encontra-se acima, de Mario Osório Marques. Nele o autor nos leva a caminhos tão leves para aprendermos a iniciar esse ato, muitas vezes tão árduo, ainda mais quando se trata de pesquisas científicas e todo ranço que com ela carregamos ao lermos os filósofos, ao interpretá-los e ao citá-los... Mas aí está um dos pontos de que fala Marques, não, não podemos "apenas"copiá-los, não se trata disso, obviamente precisamos lê-los, e relê-los muitas e muitas vezes, pois sabemos que nossos olhares serão outros em outros momentos, trata-se sim de reconstruí-los, "uma reconstrução destes". Os saberes se fundem, se transformam e se reformulam, explica o autor, e a partir desse "empurrão"para "soltarmos o verbo", no seu sentido mais positivo e produtivo que possamos encontrar, resolvi iniciar este blog com meus devaneios, mas que são e foram devaneios alheios também, afinal sou constituída de tudo isso à minha volta, nào é mesmo?! Abaixo uma passagem do livro, que carrego comigo para iniciar este processo compartilhado virtualmente, mas não por isso irreal:

"Entender o ato de escrever como impulso vital por onde se libertam as forças do espírito e chegar a fazê-lo expressivo de minha singularidade criativa. Esse, de fato, meu problema existencial à busca do auto-conhecimento".